Seja bem-vindo(a), maestro da percussão metálica! Aqui estamos, desta vez desvendando os martelos de ourivesaria para repuxo e cinzelamento, na subcategoria Ferramentas e Materiais, a batuta que rege a orquestra do golpe, do sussurro ao trovão.
No artigo anterior (P1, Punções para Repuxamento e Cinzelamento), apresentamos o alfabeto do ourives: cada punção, uma letra. Mas de que adianta ter o alfabeto mais completo do mundo se você não tem a voz certa para declamá-lo? Porque o punção não golpeia sozinho, ele precisa de um parceiro. E esse parceiro é o martelo.
Como bem observou o mestre Oppi Untracht em Jewelry Concepts & Technology, “o martelo é o primeiro instrumento do ourives, e o mais difícil de dominar. O punção escreve, mas é o martelo que dita o ritmo, o tom, a intensidade de cada palavra no metal.” E, como já dizia um velho ourives de bancada: “Martelo ruim não estraga só o punção, estraga o ourives junto, o braço, o ombro, e a vontade de viver.”
No artigo de Técnicas e Processos ( Art. 11, Repuxamento e Cinzelamento), vimos o metal ganhar alma sob os golpes. Aqui, vamos conhecer os instrumentos que dão voz a essa alma. Prepare o ouvido e a mão, porque cada martelo tem um som, e cada som conta uma história.
Uma Questão de Família — O Martelo Não é Uma Ferramenta Só
Se você acha que “martelo é martelo”, bom, sente-se, porque vamos mudar sua visão do universo.
Um marceneiro tem talvez três martelos na vida. Um ferreiro, cinco. Um ourives especializado em repuxo e cinzelamento?… Oppi Untracht recomendava ter pelo menos oito. E ele não estava exagerando (pela primeira vez na vida).
“O martelo errado na hora errada é como tentar escrever uma carta de amor com uma marreta: a mensagem até chega, mas a elegância… zero.”
Cada martelo tem uma personalidade distinta, peso, ângulo da face, tipo da pena (pein), curvatura, balanceamento. Usar o martelo certo para cada fase do repuxamento ou cinzelamento não é frescura: é a diferença entre um relevo que emociona e uma chapa amassada que você vai ter que recozer e começar de novo.
Oppi Untracht classifica os martelos para ourivesaria em famílias, e cada família tem seus subgrupos, suas variações, seus fãs obstinados que defendem um fabricante específico com a paixão de quem discute futebol.
A Anatomia do Martelo de Ourives — Conhecendo as Partes do Instrumento
Antes de entrarmos nas famílias, precisamos entender do que um martelo é feito, porque, convenhamos, um martelo não é “um peso na ponta de um cabo”. É um instrumento de precisão, e cada parte dele tem uma função.
A Cabeça
A cabeça do martelo é dividida em três partes fundamentais:
A Face (a “cara” do martelo): É a superfície que golpeia. Pode ser:
Plana: para golpes que precisam espalhar o metal uniformemente. Usada em planishing (alisamento) e em repuxamento de áreas largas.
Ligeiramente convexa (domed): a face mais comum em martelos de cinzelar. A curvatura evita que o martelo “marque” o punção com bordas vivas. Oppi Untracht era categórico: “A face do martelo de cinzelar deve ser convexa, se for plana, você estará trabalhando contra a física.”
Texturizada: para criar texturas intencionais no metal (martelos de texturizar).
O polimento da face também importa: uma face polida (espelhada) produz marcas mais lisas; uma face levemente fosca produz menos brilho mas mais aderência.
A Pena (o Pein, a “nuca” do martelo): É a extremidade oposta à face. Pode ser:
Bola (ball pein): esférica, para repuxamento e texturização.
Cruz (cross pein): em formato de cunha alongada, para esticar o metal em uma direção específica.
Chata (flat pein): para alisamento e planishing.
Faca (straight pein): fina como um cinzel, para linhas e sulcos.
“O pein é a personalidade oculta do martelo. A face é o que ele mostra ao mundo; o pein é o que ele faz nas horas vagas.”
O Peso: Medido em gramas, o peso da cabeça determina a força do golpe, mas não da forma que você imagina. Um martelo mais pesado não produz um golpe mais forte; produz um golpe mais profundo, com mais inércia.
O Cabo
O cabo é a conexão entre o ourives e o martelo. Um cabo mal ajustado destrói a precisão do golpe, cansa o braço e, pior, pode fazer o martelo voar em direção à sua canela.
Materiais do cabo:
Madeira (Hickory, Freijó, Jatobá): O clássico. Absorve vibração, é confortável, substituível. Oppi Untracht recomendava cabos de hickory americano, “a madeira que não cansa a mão.”
Fibra de vidro: Durável, não quebra, mas transmite mais vibração. Bom para martelos mais pesados.
Metal revestido: Raro em ourivesaria, mais comum em ferramentas industriais.
O formato do cabo:
Reto: Para martelos de cinzelar leves (até 150g).
Curvo (anatomically shaped): Para martelos de repuxar mais pesados (acima de 200g), o cabo curvo permite que o martelo “balance” naturalmente.
O comprimento ideal: Oppi tinha uma regra simples: “O cabo deve ter o comprimento do seu antebraço, do cotovelo à ponta do punho.” Para a maioria das pessoas, entre 22 cm e 28 cm.
As Famílias de Martelos — O Alfabeto em Voz Alta
Agora sim: vamos conhecer cada família de martelos que o ourives do repuxo e cinzelamento precisa ter na bancada.
1. Martelo de Cinzelar (Chasing Hammer) — O Tenor da Orquestra
O chasing hammer é o martelo mais usado no cinzelamento. É leve, preciso, com a face ligeiramente convexa e a pena em bola.
Características técnicas:
Peso: 80g a 150g (o mais comum: 100g-120g)
Face: Convexa, 12-16mm de diâmetro, polida espelho
Pein: Bola (ball), 6-8mm de diâmetro
Cabo: 22-25cm, madeira (hickory ou freijó)
Função principal: Golpear punções de cinzelar
“O chasing hammer de 100g é o tenor da orquestra: agudo, preciso, nunca desafina.”
Por que a face convexa? Quando o martelo golpeia o punção, a face convexa garante que o contato aconteça no centro da cabeça do punção, independentemente do ângulo do golpe. Se a face fosse plana, qualquer micro-desalinhamento faria o martelo bater de raspão no punção, transferindo energia para o lado errado e, pior, podendo quebrar o punção ou amassar o metal ao redor.
Como usar: A empunhadura ideal é leve, o martelo não é segurado com força, e sim “conduzido”. O movimento vem do punho, não do braço. O cotovelo fica parado, o antebraço faz pequenos ajustes, e o punho gera o golpe.
Oppi Untracht descrevia: “O chasing hammer não é empunhado, é acariciado. A mão que aperta o cabo erra o alvo.”
| Modelo | Peso | Face | Pein | Melhor Para |
| Chasing hammer leve | 80g | 12mm convexa | Bola 5mm | Cinzelamento fino, detalhes |
| Chasing hammer padrão | 100-120g | 14mm convexa | Bola 6mm | Cinzelamento geral, 80% dos usos |
| Chasing hammer pesado | 150g | 16mm convexa | Bola 8mm | Cinzelamento em peças grandes, contornos profundos |
Sacada do Oppi: Para testar se seu chasing hammer está bem balanceado, segure-o pelo cabo na horizontal, com a cabeça apoiada no dedo indicador. Se o martelo não pender nem para a frente nem para trás, o centro de gravidade está correto. “O martelo que não balança certo não bate certo.”
2. Martelo de Repuxar (Repoussé Hammer) — O Barítono
O repoussé hammer é mais pesado que o chasing hammer. Ele é usado no repuxamento propriamente dito, para empurrar o metal, criar volume, deformar a chapa. A face dele é geralmente mais larga e mais plana, e a pena é maior.
Características técnicas:
Peso: 150g a 350g
Face: Plana ou levemente convexa, 18-25mm
Pein: Bola grande (ball) ou chata (flat), 10-14mm
Cabo: 25-28cm, madeira anatômica
Função principal: Golpear punções repuxadores (repoussé punches)
“O repoussé hammer é o barítono da orquestra: mais grave, mais encorpado, mais presente. Ele não sussurra, ele conversa.”
Por que mais pesado? No repuxamento, o martelo precisa transferir energia suficiente para o punção empurrar o metal para cima (contra o breu). Um martelo leve não tem inércia para isso, você teria que golpear com tanta força que perderia o controle. O peso extra faz o trabalho pesado, deixando você livre para controlar a precisão.
Como usar: Ao contrário do chasing hammer, o movimento aqui vem do antebraço, o cotovelo se move ligeiramente, o ombro participa. A empunhadura é mais firme, mas ainda sem rigidez.
“O repoussé hammer é golpeado, não empurrado. Deixe o peso fazer o trabalho, sua mão só guia.”
| Modelo | Peso | Face | Pein | Melhor Para |
| Repoussé leve | 150-200g | 18mm convexa | Bola 10mm | Repuxamento fino, prata |
| Repoussé médio | 200-280g | 20mm convexa | Bola 12mm | Repuxamento geral, ouro 18k |
| Repoussé pesado | 300-350g | 22-25mm plana | Bola 14mm | Repuxamento profundo, cobre/latão |
3. Martelo de Planishing — O Tenor Lírico
O planishing hammer é o martelo de acabamento. Sua função não é criar volume, e sim alisar a superfície, uniformizar o metal, remover as marcas de marteladas anteriores.
Características técnicas:
Peso: 80g a 150g
Face: LARGER, plana ou ligeiramente convexa, 20-30mm, ALTAMENTE polida
Pein: Chata (flat) ou curva
Cabo: 22-25cm
Função principal: Alisar superfícies, planishing final
“A face do planishing hammer deve estar tão polida que você possa fazer a barba nela. Oppi recomendava polimento com pasta diamantada até grão 50.000.”
O segredo do planishing: O planishing não remove metal, ele redistribui microscópicamente a superfície. Golpes leves e sobrepostos vão gradualmente alisando a superfície, como passar o dedo sobre uma ruga repetidamente até ela sumir.
Prata: Golpes muito leves. Prata é macia e o planishing rápido.
Ouro: Golpes leves. Ouro 18k planish bem.
Cobre: Golpes levíssimos, muitos passes. Cobre encrua rápido.
“Sabe quando você passa a mão no papel amassado e ele não desamassa? O planishing é o contrário: marteladinha por marteladinha, o metal vai se aquietando. É a terapia do metal.”
4. Martelo de Bola (Ball Pein Hammer) — O Tenor Dramático
O ball pein hammer tem uma face plana e uma pena esférica (a bola). É o martelo mais versátil da bancada, usado tanto para repuxamento (com a bola) quanto para trabalho geral (com a face).
Características técnicas:
Peso: 100g a 200g (na ourivesaria, os de ferreiro são muito mais pesados)
Face: Plana, 14-18mm
Pein: Bola esférica, 8-12mm
Função: Repuxamento com a bola, texturização, trabalho geral
A diferença do chasing hammer: Enquanto o chasing hammer tem face convexa para golpear punções, o ball pein tem face plana para golpear diretamente o metal. A bola serve para criar texturas ou repuxar áreas específicas.
“O ball pein é o canivete suíço dos martelos: não é especialista em nada, mas salva em tudo. Se você só puder ter um martelo, que seja este. Mas tenha oito. Confia em mim.”
5. Martelo de Texturizar (Texturing Hammer) — O Percussionista
Diferente dos outros, o martelo de texturizar tem uma face intencionalmente texturizada, estriada, pontilhada, em padrões geométricos. Não é um martelo para golpear punções, e sim para golpear diretamente o metal, criando padrões de superfície.
Peso: 120g a 250g Face: Texturizada (vários padrões) Função: Criar texturas decorativas
“O martelo de texturizar é o percussionista: não faz melodia, faz ritmo. E sem ritmo, a música do metal não dança.”
Oppi Untracht descrevia ourives japoneses que tinham martelos de texturizar com padrões de ondas, escamas e flores, cada um criado especificamente para um tipo de acabamento tradicional japonês (nanako, fundo de ovas de peixe).
6. Martelo de Nylon e Martelo de Madeira — Os Músicos de Apoio
Nem todo golpe precisa ser em metal. Martelos de nylon e madeira são usados para:
Montagem inicial: Ajustar peças sem marcar o metal.
Repuxamento em breu: Golpear punções sem risco de superaquecimento por atrito.
Acabamento final: Ajustes delicados sem deformar o relevo.
“Nylon e madeira são os músicos de apoio: não aparecem no palco, mas sem eles a orquestra desafina.”
O Som do Martelo — Ouvindo o Metal Falar
Aqui chegamos a um dos ensinamentos mais fascinantes de Oppi Untracht: cada martelo tem um som, e cada som revela algo sobre a qualidade do golpe.
O Que o Som Revela
| Som | Significado | O Que Fazer |
| Timbre agudo, metálico, “tinc” | O martelo bateu corretamente no centro do punção. Metal está cedendo bem. | Continue. Tudo certo. |
| Timbre abafado, “thud” | O punção não está apoiado corretamente no metal, ou o metal já encruou. | Verifique o apoio. Recoza. |
| Som irregular, “clink” | O martelo bateu de raspão no punção. Ângulo errado. | Ajuste a empunhadura. Martelo perpendicular ao punção. |
| Som “seco”, sem ressonância | O metal está encruado. Hora de recozer. | Recozimento imediato. |
| Som “molhado”, prolongado | O golpe está muito fraco. O punção não está marcando. | Aumente a força ou troque por martelo mais pesado. |
“Cada liga canta diferente. O ouro 18k tem um timbre mais grave que a prata, é mais denso, vibra em frequência mais baixa. O cobre é o mais seco de todos: o som dele é curto, quase impaciente. O ourives experiente reconhece o metal pelo som do martelo antes mesmo de olhar.”
O Teste do Ouvido
Oppi Untracht sugeria um exercício simples para ourives em treinamento: feche os olhos e peça para alguém golpear uma peça com diferentes martelos. Tente adivinhar qual martelo foi usado, em qual metal, e se o golpe foi bom ou não.
“O ourives que ouve o metal antes de vê-lo é o ourives que entende o metal antes de tocá-lo.”
A Empunhadura — Como Segurar o Martelo Sem Estrangular a Música
A forma como você segura o martelo determina 50% da qualidade do golpe. Os outros 50% são… bem, prática. Mas vamos aos primeiros 50.
A Pegada Correta
Posicione o cabo na base dos dedos, não na palma da mão. A palma deve estar vazia, como se você estivesse segurando um passarinho sem machucá-lo.
Enrole os dedos ao redor do cabo, médio, anelar, mínimo firmes; indicador solto, quase guiando.
Polegar apontado para a face do martelo, alongado ao longo do cabo, não enrolado. O polegar é o “sensor” que sente a vibração do golpe.
Punho relaxado, a rigidez no punho mata a precisão.
“Se sua mão ficar branca ao redor do cabo, você está apertando demais. O martelo não precisa ser dominado, precisa ser conduzido.”
A Altura do Golpe
A altura de onde o martelo cai determina a força do golpe:
2-3 cm: Golpe leve (acabamento, detalhes finos)
5-8 cm: Golpe médio (cinzelamento geral)
10-15 cm: Golpe forte (repuxamento, desbaste)
“Golpe de 20 cm com chasing hammer de 100g = um ourives irritado. Nunca trabalhe irritado. O metal sente.”
O Ângulo
O martelo deve golpear perpendicularmente ao punção. Qualquer desvio lateral faz o punção escorregar, o golpe perder força e, em casos extremos, o martelo acertar seus dedos.
“O ângulo certo é 90 graus. 89 é quase certo, mas dá errado. 91 é o mesmo quase-errado. Ex-atleta olímpico não erra por um grau. Ourives também não.”
A Manutenção dos Martelos — Cuidando da Voz
Um martelo bem cuidado dura décadas, e passa de geração em geração. Um martelo mal cuidado… vira peso de papel em meses.
A Face
A face do martelo precisa ser repolida regularmente:
Use lixa d’água grão 1000-2000 para remover marcas de uso.
Finalize com pasta diamantada (6 microns, depois 1 micron) em um pedaço de couro.
A face deve estar espelhada, qualquer imperfeição na face vai se transferir para o metal ou para o punção.
“Uma face arranhada é like um cantor com rouquidão: a nota sai, mas não é a mesma.”
O Cabo
Verifique o cabo regularmente:
Folga? Se o cabo estiver solto na cabeça, ele pode voar. Bata a cabeça do martelo contra a bancada para firmar a cunha.
Rachaduras? Substitua imediatamente. Um cabo rachado quebra na hora do golpe mais forte.
Envernizado escorregadio? Lixe o verniz com lixa grão 150 e aplique óleo de linhaça. O cabo deve ser liso, não escorregadio.
Formato errado? Um ourives experiente raspa o cabo para adaptá-lo à própria mão. Não tenha medo de personalizar.
O Armazenamento
Martelos NUNCA devem ser guardados amontoados em gaveta, as faces batem umas nas outras e perdem o polimento.
Use um suporte de parede com furos ou ganchos individuais.
Martelos de face polida merecem uma capa de couro individual.
“Guarde cada martelo no seu lugar. Na hora do golpe, você não quer perder 5 minutos procurando o de 120g. O metal esfria, a paciência acaba, e a peça paga o preço.”
Como Montar Seu Conjunto Inicial de Martelos
Se você está começando no repuxo e cinzelamento, Oppi Untracht recomendava o seguinte conjunto inicial de 5 martelos:
| Prioridade | Martelo | Peso | Função Principal |
| 1º | Chasing Hammer | 100-120g | Cinzelamento, 80% dos usos |
| 2º | Ball Pein Hammer | 150g | Repuxamento geral, texturização |
| 3º | Repoussé Hammer | 250g | Repuxamento profundo, desbaste |
| 4º | Planishing Hammer | 120g | Acabamento final, alisamento |
| 5º | Martelo de Nylon | 200g | Montagem inicial, ajustes |
Com estes 5 martelos, você cobre 90% das situações de repuxamento e cinzelamento que um joalheiro artesanal enfrenta. Os outros 10%?
“Os outros 10% são a desculpa perfeita para comprar mais martelos. E, convenhamos, ninguém nunca reclamou de ter martelo demais. Esposa reclama. Ourives, nunca.”
DIY: Você pode fazer seu próprio martelo de repuxar adaptando uma cabeça de martelo de ferreiro (150g) com um cabo mais curto e anatômico. Oppi Untracht descrevia ourives que compravam martelos industriais baratos e os modificavam, retífica na face, polimento diamantado, cabo personalizado. “O melhor martelo é aquele que se adapta à sua mão. Se você não encontrar, faça.”
Onde a Ferramenta Encontra a Alma da Joia
“O martelo é a voz do ourives”, prometemos no título. E agora você entende por quê.
Cada martelo tem um timbre, uma personalidade, um papel na orquestra do repuxo e cinzelamento. O chasing hammer que sussurra nos punções de cinzelar, o repoussé hammer que canta nos punções de repuxar, o planishing hammer que acalenta a superfície no acabamento final, cada um é um instrumento musical em uma sinfonia que transforma chapa plana em relevo pulsante.
Oppi Untracht sabia disso. Por isso dedicou páginas e páginas de Jewelry Concepts & Technology não apenas às técnicas, mas às ferramentas que as tornam possíveis. Porque, como ele bem sabia, “o ourives sem o martelo certo não é um artesão, é um aspirante a artesão. E aspirantes não criam relevos que emocionam.”
E como já disse o ferreiro e cuteleiro brasileiro Eduardo Berardo: “O martelo não é a ferramenta que bate no metal. O martelo é a ferramenta que conversa com o metal. Se você não sabe o idioma, o metal não responde. Se você sabe… ele canta.”
Hora do cafezinho! E, como de costume, de nossa querida seção …
Ideias Joias!
Ah, os martelos de ourivesaria para repuxo e cinzelamento! Vimos no artigo que eles são a voz do ourives, cada peso, cada ângulo da face, cada curvatura do cabo dita o som que o metal produz. Mas, convenhamos, nem sempre a voz sai afinada de primeira, não é?
Entre um golpe e outro, o martelo pode ser pesado demais para aquele punção delicado, leve demais para aquele repuxo profundo, ou o cabo pode simplesmente não se dar bem com sua mão, como um aperto de mão estranho que dura horas. “O martelo errado é like um terno emprestado: serve, mas não veste. E no meio do baile, a calça cai.”
Como diria Oppi Untracht, “o martelo é a extensão do braço do ourives, mas uma extensão que não conhece o próprio peso é um braço que nunca acerta o alvo.” “O martelo não é uma ferramenta, é uma extensão do seu mau humor: se você está irritado, ele bate mais forte; se está distraído, ele bate torto. Por isso, trate bem o martelo, e a si mesmo!”
Calma, maestro da percussão metálica! Nesta seção, vamos transformar o “não é bem assim” em “agora faz todo o sentido!”, com ideias originais que misturam precisão técnica e criatividade pragmática. Inspirados em Oppi, que sabia que o melhor martelo é aquele que conhecemos profundamente, aqui vão 3 ideias inovadoras para você resolver problemas clássicos de martelo e ainda extrair o máximo de cada golpe. São sacadas práticas, sustentáveis, e com aquele humor de quem já passou a tarde inteira caçando um martelo que escorregou para debaixo da bancada.
Martelo Pesado ou Leve Demais? O “Teste do Ouvido” que Oppi Usava para Calibrar a Voz do Golpe

Ourives de pulso firme! Você está no meio do cinzelamento com seu chasing hammer de 100g, aquele que você sempre usa, e de repente percebe: o punção não está marcando. O metal não está cedendo. Você aperta o cabo, golpeia mais forte, o punção escorrega, e o metal amassa onde não devia. “Parece que o metal virou concreto de um dia para o outro!”
O problema? Oppi Untracht, em Jewelry Concepts & Technology, é claro como água: “O martelo certo para cada fase do trabalho não é uma questão de preferência, é uma questão de física.” E a física é simples:
| Fase do Trabalho | Peso Ideal do Martelo | Por Quê |
| Cinzelamento fino (detalhes, contornos) | 80-100g | Golpes precisos, controle milimétrico, punção não pula |
| Cinzelamento geral (definição de relevo) | 100-130g | Equilíbrio entre força e controle, 80% dos usos |
| Repuxamento leve (prata, primeiro desbaste) | 150-200g | Inércia suficiente para empurrar o metal no breu |
| Repuxamento pesado (cobre, ouro 18k, relevo profundo) | 250-350g | Massa faz o trabalho, braço só guia |
Ou seja: seu chasing hammer de 100g é PERFEITO para cinzelamento, mas se você está tentando repuxar uma chapa de 1,0 mm de cobre com ele, você vai cansar o braço, amassar o metal, e ainda culpar o punção. “Não é o punção que está ruim, é o martelo que está de férias no lugar errado!”
A Ideia Inovadora: Crie um sistema de calibração auditiva, o “Teste do Ouvido”, para saber na hora se o martelo é o certo para o serviço, sem precisar pensar.
Passo 1, A Calibração Inicial (faça uma vez e guarde): Pegue uma chapa de cobre de 0,8 mm (seu “metal de teste universal”). Golpeie um punção de linha reta (straight liner de 2 mm) com cada um dos seus martelos. Use a MESMA força (altura de queda de 8 cm, golpe de pulso sem braço). Ouça o som. Anote:
Chasing 80g: Som mais agudo, “tic” seco e rápido. Golpe raso, preciso. Ideal para: detalhes finos.
Chasing 120g: Som médio, “toc” limpo e definido. Golpe médio, controlado. Ideal para: 90% do cinzelamento.
Repoussé 200g: Som mais grave, “tum” encorpado. Golpe profundo, o metal cede visivelmente. Ideal para: repuxamento em prata.
Repoussé 300g: Som grave e prolongado, “tumm” com ressonância. Golpe que empurra o metal longe. Ideal para: repuxamento em cobre e ouro 18k.
“O som é o radar do ourives. Martelo agudo demais para o serviço pesado é like cantor de ópera tentando gritar em estádio de rock, a voz não chega no fundo.”
Passo 2, O Teste Rápido na Bancada: Antes de começar qualquer peça, dê 3 golpes de teste no canto da chapa. Pergunte-se:
O som está muito agudo para a profundidade que preciso? → Martelo leve demais, troque.
O som está muito grave, quase “abafado”? → Martelo pesado demais, o metal vai amassar antes de repuxar.
O som está limpo e definido? → Martelo certo. Pode começar.
Oppi descrevia ourives japoneses que AFINAVAM o martelo como se afina um instrumento, ajustando o ângulo da face, o polimento, até o som sair perfeito. “Não é exagero, é precisão.”
Passo 3, Monte Seu “Estojo de Vozes”: Tenha na bancada, sempre à mão, TRÊS martelos:
Martelo de voz fina (80-100g), para detalhes, acabamento, cinzelamento preciso.
Martelo de voz média (120-150g), para o trabalho do dia a dia, o “coringa”.
Martelo de voz grossa (200-300g), para repuxamento, desbaste, trabalho pesado.
“Com três martelos você faz 95% do trabalho. O problema é que a gente começa com um, acha que serve pra tudo, e passa meses lutando contra o metal. Oppi tinha 12 martelos na bancada, e usava todos.”
Sacada do Oppi: Untracht sugeria um teste simples de inércia: segure o martelo pela ponta do cabo e balance como um pêndulo. Sinta o “atraso” do movimento, quanto mais pesado, mais lento o balanço. “O martelo não mente. Ele diz o peso antes do golpe.”
“Martelo errado não estraga a peça, estraga o seu braço, o seu humor, e a sua vontade de viver. Troque de martelo. Seu ombro agradece. Sua joia também.”
Dica Extra para Maestros: Para um teste mais preciso, Untracht recomendava o teste do pêndulo com régua: apoie o cabo do martelo em uma régua milimetrada na horizontal. O centro de gravidade ideal para chasing hammer é a 1/3 do comprimento do cabo a partir da cabeça. Se estiver mais para o meio, o martelo é pesado demais para a mão; se estiver mais para a ponta, é leve demais e você vai compensar com força extra. “O martelo equilibrado é o martelo que não cansa.”
A Face do Martelo que Arranha: De “Superfície Imperfeita” a Marcas de Textura Premium

Ourives da precisão! Você está cinzelando, o som está perfeito, o ritmo está bom, e de repente você percebe: o punção está sendo marcado. Pequenas ranhuras, micro-arranhões na cabeça do punção que nunca estiveram lá antes. Ou pior: o metal ao redor do punção está sendo amassado, como se o martelo tivesse “mordido” a superfície.
O culpado mais improvável: a face do seu martelo não está lisa o suficiente.
Oppi Untracht dedicou uma seção inteira ao polimento da face do martelo. “A face do martelo de cinzelar deve ser mais lisa que o metal que você está trabalhando. Qualquer imperfeição na face, um micro-arranhão, uma rebarba, uma mancha de óxido, vai ser transferida para o punção e, através dele, para o metal.”
Por que a face perde o polimento?
Uso normal: O contato repetido com os punções vai gradualmente criando micro-marcas na face.
Impacto acidental: Um golpe torto na bigorna, no metal, ou em outro martelo (sim, acontece).
Oxidação: Martelos de aço carbono oxidam se expostos à umidade, criando picado na superfície.
Limpeza agressiva: Escova de aço ou lixa grossa na face do martelo é um crime de lesa-ourivesaria.
“A face arranhada do martelo é like um cantor com garganta inflamada: a nota até sai, mas não é a mesma. Ninguém quer pagar ingresso para ouvir um cantor rouco.”
A Ideia Inovadora: Crie um protocolo de manutenção de 5 minutos para manter a face dos seus martelos em estado de concurso, e use o polimento como controle de qualidade do golpe.
Passo 1, O Diagnóstico Visual (2 minutos): Coloque o martelo sob a lupa (10x). Gire a face contra a luz. O que você vê?
Face espelhada, sem marcas: Perfeito. Não mexe.
Micro-arranhões superficiais (como fio de cabelo): Precisa de polimento leve.
Ranhuras ou picados (como crateras minúsculas): Precisa de lixamento + polimento.
Oxidação (manchas escuras): Precisa de limpeza química + polimento.
Passo 2, O Polimento Diamantado (2 minutos): Oppi recomendava este método para a face do chasing hammer:
Aplique pasta diamantada azul (3 microns) em um pedaço de couro (lado liso, 10×10 cm).
Segure o martelo pelo cabo e faça movimentos circulares da face contra o couro, com pressão leve a moderada.
20 segundos de movimentos circulares, depois 20 segundos de movimentos retos (horizontal).
Limpe a face com álcool isopropílico em pano macio (microfibra).
Repita com pasta diamantada rosa (1 micron), mais 10 segundos cada direção.
Resultado: face espelhada, pronta para inspeção. “A face deve estar tão lisa que você possa fazer a barba nela. Oppi não brincava quando falava em ‘preparação de superfície’.”
Passo 3, O Polimento Preventivo (1 minuto por semana): Uma vez por semana, antes de começar o trabalho do dia, dê 10 movimentos circulares na face do chasing hammer com pasta diamantada de 1 micron. Isso mantém a face em condição de concurso e evita que micro-arranhões se aprofundem.
“É like escovar os dentes: 2 minutos por dia previnem horas de tratamento de canal. Com o martelo, é a mesma coisa.”
Passo 4, Crie a “Face Assinatura”: Se você quer um acabamento ainda mais profissional, Oppi sugeria: após o polimento diamantado, aplique pasta de óxido de cério na face e gire contra o couro por 30 segundos. O óxido de cério cria um polimento extra-brilhante que reduz o atrito entre o martelo e o punção, e o som do golpe fica mais limpo.
“A face tratada com óxido de cério não arranha, ela desliza. E o som é tão puro que você vai ouvir a diferença antes de ver.”
Sacada do Oppi: Untracht usava um teste da unha: passe a unha na face do martelo. Se “pegar” (a unha sentir a menor resistência), a face precisa de polimento. Se deslizar suave sem ruído, está pronta. “A unha do ourives é o micrômetro mais sensível que existe.”
“Face arranhada = punção marcado = metal estragado = ourives frustrado = cliente insatisfeito. Ou: 2 minutos de polimento diamantado. A escolha é simples.”
Dica Extra para Maestros: Martelos NOVOS de fábrica muitas vezes vêm com a face oleada (para proteção contra oxidação). Esse óleo RESIDUAL pode contaminar o punção e o metal. Antes de usar um martelo novo pela primeira vez, Oppi recomendava: limpe a face com álcool isopropílico, depois dê 20 golpes em chapa de cobre DESCARTÁVEL para “amaciá-lo”. “O martelo novo é como carro zero: precisa de amaciamento antes de pisar fundo.”
O Cabo que Não Aperta a Mão: Como Personalizar o Cabo do Seu Martelo para Ele Ser uma Extensão do Seu Braço

Ourives de mão cãibrada! Você está no meio de uma sessão longa de cinzelamento, duas, três horas de trabalho contínuo, e de repente percebe: sua mão está dormente. Ou doendo. Ou formigando. “Parece que segurei um martelo o dia inteiro… Ah, espera, foi exatamente isso que eu fiz!”
O culpado? Na maioria dos casos, não é você, é o cabo do martelo. Os cabos de fábrica são feitos para uma “mão média” que não existe. Ou são grossos demais (para mãos grandes) ou finos demais (para mãos pequenas), ou têm o formato errado para o seu tipo de pegada.
Oppi Untracht é taxativo em Jewelry Concepts & Technology: “O cabo do martelo é a conexão mais íntima entre o artesão e a ferramenta. Um cabo mal ajustado não apenas prejudica o trabalho, ele lesiona o ourives.”
O problema em números:
Um cabo grosso demais (diâmetro >25 mm): a mão não fecha completamente, a pegada fica tensa, o punho trava.
Um cabo fino demais (diâmetro <18 mm): a mão fecha demais, os dedos se sobrepõem, a força de preensão é desperdiçada.
Um cabo envernizado (superfície lisa): o martelo escorrega, o ourives aperta mais para compensar, a mão cansa em 30 minutos.
Um cabo reto (sem curvatura): o martelo não “balança” naturalmente, o golpe perde potência.
“Um cabo que não se adapta à sua mão é like um sapato apertado: você até consegue andar, mas não vai dançar. E ourives que não dançam com o martelo não fazem música no metal.”
A Ideia Inovadora: Personalize o cabo dos seus martelos para sua mão específica, como um molde de dentadura, mas para ferramenta.
Passo 1, O Diagnóstico da Pegada (faça uma vez): Pegue seu martelo mais usado. Segure-o na posição de trabalho normal. Agora, solte o martelo sem largar, apenas relaxe a mão. Observe:
Seus dedos envolvem o cabo completamente? → Diâmetro OK.
Seu polegar aponta naturalmente para a face? → Ângulo OK.
O cabo é liso ou texturizado? → Texturizado é melhor.
Após 2 minutos segurando, sua mão já está cansada? → Cabo precisa de ajuste.
Passo 2, A Raspagem Anatômica (faça com calma): Com lixa grão 150, remova o verniz do cabo INTEIRO. Depois, faça ajustes específicos:
Região do polegar: Raspe UMA LEVE depressão (profundidade 1-2 mm) onde o polegar repousa. Isso dá um “encaixe” natural.
Região do mindinho: Raspe UMA LEVE curvatura (profundidade 1-2 mm) onde o mindinho se apoia. O mindinho é o dedo que mais sofre, ele precisa de apoio.
Região da palma: Não raspe, a palma precisa de volume para preencher a mão.
“Raspe com carinho. Não é um toco de madeira, é a moldura da sua mão. Cada raspagem errada é meio milímetro a menos de conforto.”
Passo 3, O Acabamento (a parte que Oppi aprovava): Após a raspagem:
Lixe com grão 220, depois 400, depois 600.
Aplique óleo de linhaça puro (não verniz, não selante). O óleo penetra na madeira e a protege SEM deixar a superfície escorregadia.
Deixe secar 24h. Repita a aplicação.
Depois de seco, passe a mão no cabo. A sensação deve ser: macio, mas não escorregadio; firme, mas não áspero.
“A mão não escorrega em óleo de linhaça. Escorrega em verniz. Seu martelo não é móvel de sala de estar, não precisa de brilho. Precisa de aderência.”
Passo 4, O Teste de 30 Minutos: Use o martelo com cabo personalizado por 30 minutos contínuos. Depois, avalie: sua mão dói menos? O golpe está mais preciso? Você sente que o martelo “se encaixa” na sua mão?
Se sim: parabéns, você acabou de criar um martelo que é seu. Ninguém mais vai conseguir usar ele com a mesma eficiência, e isso é ótimo. “O ourives que tem um martelo personalizado não empresta o martelo. E não aceita empréstimo. É uma relação monogâmica entre mão e cabo.”
Passo 5, O Cabo de Reposição na Medida: Se o cabo original for muito grosso e a raspagem não resolver, Oppi sugeria: compre cabos de reposição de hickory (os melhores, vendidos em lojas de ferramentas para ourives) e raspe DO ZERO, ajustando o formato para sua mão ANTES de montar na cabeça. “O cabo novo é uma tela em branco. O ourives é o escultor.”
Sacada do Oppi: Untracht descrevia uma técnica ourives indiana: eles mergulhavam o cabo do martelo em água quente por 10 minutos, depois seguravam o martelo na posição de trabalho e apertavam com força, criando uma marca da mão na madeira amolecida. Depois, deixavam secar, o cabo guardava o formato exato da mão do ourives. “Não é tecnologia, é sabedoria. O cabo aprende a mão, e a mão aprende o cabo.”
“Personalizou o cabo? Você agora faz parte de uma tradição que remonta aos ourives etruscos, cada martelo feito para uma mão, cada mão feita para um martelo. E, convenhamos, seu martelo personalizado é mais confortável que muito tênis por aí.”
Dica Extra para Maestros: Para martelos com cabo de madeira, a posição da cunha no topo da cabeça influencia o equilíbrio. Se o martelo estiver “pesado na cabeça” (cai para frente quando segurado solto), a cunha está muito para baixo. Se estiver “pesado no cabo” (cai para trás), a cunha está muito para cima. Rebatendo a cunha com um golpe seco, você ajusta o equilíbrio em segundos. “Martelo desequilibrado cansa o dobro. Martelo equilibrado trabalha sem você sentir. A diferença é uma cunha de 2 centavos.”
Joalheiros(as) maestros da percussão, os martelos de ourivesaria para repuxo e cinzelamento são a voz do ourives, mas uma voz que precisa ser educada, cuidada e personalizada. O martelo muito pesado que cansa o braço, a face arranhada que marca o punção, o cabo genérico que não se adapta à sua mão, cada um desses “problemas” é, na verdade, um convite para conhecer melhor sua ferramenta.
Tudo com a profundidade técnica de Oppi Untracht, que sabia que o martelo não é um objeto inanimado, é um parceiro de dança. E com o humor sagaz de quem já passou horas polindo a face de um martelo até ela brilhar mais que o futuro do ourives.
Essas ideias não são truques, são fundamentos de relacionamento entre ourives e martelo. Testem na bancada, personalizem seus cabos, escutem o som de cada golpe, e compartilhem nos comentários em ideiasjoias.com as descobertas de vocês. A gente quer ouvir a música que cada martelo está fazendo por aí.





